Comunicação

Debate Costa vs Coelho: Foi preciso mudar tudo para que nada mude

Domingas Carvalhosa
Managing Partner, Wisdom

O debate de ontem surpreendeu-me. E surpreendeu-me por dois motivos: o primeiro foi o facto de Pedro Passos Coelho não se ter apresentado na sua melhor forma num debate que poderia ter sido decisivo para a campanha; depois, porque não contava com o novo posicionamento de António Costa, muito mais seguro, combativo e bem preparado para o duelo televisivo.

Pedro Passos Coelho partia em vantagem com um posicionamento definido e já conhecido dos eleitores, com sondagens a apresentarem uma tendência de subida e com a tarefa de conquistar o eleitorado do centro (maioria dos 20% de indecisos) e a abstenção. Já António Costa, para além de uma indefinição de posicionamento e dos ‘casos’ que têm acompanhado a sua campanha eleitoral, tinha a dificílima tarefa de apresentar um discurso que não só conquistasse o Centro como não afastasse o voto útil da Esquerda.

Mas, o que vimos não foi nada disto. Passos Coelho não ‘encostou’ António Costa à Esquerda de forma a ganhar o Centro e não usou e abusou dos argumentos que poderiam convencer os indecisos. Não utilizou, com maior convicção, os bons números que contrariam a argumentação de Costa, e não afirmou a vitória do PS como um desperdício do capital de confiança já conquistado por este Governo face às entidades europeias e aos mercados. Faltou clareza na mensagem de que os Portugueses não deveriam trocar o certo pelo incerto sob pena de não verem o seu esforço compensado. Valeram-lhe a coerência, os conhecimentos profundos da Economia do País, os bons números que andam a contrariar a estratégia destrutiva de Costa e o esforço que efetuou para gerar maior simpatia junto dos portugueses.

Por outro lado, António Costa surgiu como novo. Imagem de homem de Estado, que até à data nunca tínhamos visto, muito bem preparado e com as mensagens previamente definidas na ponta da língua. Mostrou ao eleitorado moderado que estava preparado para governar e conseguiu também falar à Esquerda puxando os temas sociais e o excesso de austeridade. Na primeira parte do debate, viagra france, Costa mostrou-se mais nervoso, tendo adquirido uma maior confiança no intervalo. Depois ocupou muito bem os silêncios de Passos Coelho e deu a percepção de que estava mais presente.

No final, os dois candidatos efetuaram uma declaração e, ao contrário do que se passara no debate, Pedro Passos Coelho apresentou um discurso e um posicionamento mais convincente do que António Costa.

O formato do debate, o pouco tempo atribuído a cada tema e as interrupções constantes dos entrevistadores impediram que este tenha sido um bom debate, levando a que, provavelmente, grande parte dos eleitores não tivesse captado as mensagens de ambos. E, para esses, a imagem e a convicção dos candidatos foi fundamental.

Verdadeiramente, considero que este debate não irá alterar as tendências de voto, nem a orientação eleitoral dos indecisos. Caberá agora aos candidatos conquistá-los com a campanha de rua.

Enfim, assistimos a um debate com grandes mudanças no comportamento dos candidatos, mas considero que ainda não é agora que vamos assistir ao descolar das duas forças políticas nas sondagens. Pelo debate, foi preciso mudar tudo para que nada mude.

Por Maria Domingas Carvalhosa, Managing Partner da Wisdom e Administradora do Liftworld in Meios & Publicidade.

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